Relação sexual com filho no quarto pode?

Vamos direto ao ponto em questão neste artigo. A resposta é NÃO!!! E se você está pensando: “Nossa, Betina, mas porque essa rigidez?”, vou explicar os motivos, que neste caso envolvem vários fatores.

Já foi comprovado que a criança capta e sente o que está acontecendo ao seu lado mesmo dormindo. Estudos feitos com crianças, captando suas ondas cerebrais, apresentaram grande diferença nos bebês que presenciaram uma relação sexual mesmo dormindo. Além disso, a criança pode acordar, ver e se assustar com o que está acontecendo, o que não deixa de ser uma forma de abuso. É só pensar se você gostaria de mandar seu filho dormir nos avós e eles tiverem relação ao lado dele dormindo. Você se sentiria confortável? Tenho certeza que não. Acontece que com os pais é a mesma situação. “Já fiz isso e agora? Vou traumatizar meu filho?” Calma, pessoal. Se já fez, é só não fazer de novo e ponto final. São vários fatores que levam a algum trauma. Depende de cada criança e da maneira com a qual ela vai receber essa informação, se isso persiste, além de outros fatores psicológicos e ambientais. O problema é ter a informação e persistir no ato.

Bom, mas aí vem a pergunta: o que fazer? Use a criatividade!!! Utilize outros ambientes da casa, caso você divida o quarto com seu filho. Caso a criança já caminhe, tranque a porta. Não corra o risco da criança abrir a porta, pois é preferível imaginar o que os pais estariam fazendo do que presenciar a cena.

É importante lembrar que o bebê está se constituindo desde sempre. Ele entende muito mais do que você imagina. “Mas, Betina, ele não sabe o que está acontecendo.” É justamente por não entender o ato sexual que a criança não pode presenciar, mesmo dormindo. Se nós não queremos fazer algo com ele já maior presente no quarto, porque vamos fazer com ele ainda pequeno? Os resultados desse ato podem, no futuro, resultar em sintomas equivalentes ao abuso sexual. Não estou dizendo que todos vão resultar, mas existe essa possibilidade. Por que correr o risco? 

De acordo com a psicóloga Thaís Blankenheim, o interesse das crianças por questões relacionadas ao corpo e à sexualidade é comum desde muito cedo. Não deve ser considerado algo precoce e nem deve ser reprimido. No entanto, se a criança estiver sendo exposta a alguma situação que ela ainda não tem condições de representar psiquicamente, poderá desenvolver sintomas. Essas situações dizem respeito a qualquer exposição a conteúdos impróprios para a sua idade na televisão e internet, ou alguma exposição presencial de conteúdo sexual. Mesmo que o bebê ou a criança esteja dormindo, existem sentidos que continuam funcionando, ou seja, é possível sentir o que está acontecendo no ambiente.

As mães, os pais, as/os cuidadoras/es e professoras/es devem ser orientados/as sobre esses assuntos, pois muitas vezes encontram dificuldades e constrangimentos para lidar com a temática. Para isso, existem profissionais especializados em Educação em Sexualidade. A Educação Sexual aborda conhecimentos e cuidados com o corpo, prevenção de abusos, violências e doenças. Ela também ajuda a desenvolver sujeitos mais cuidadosos e respeitosos consigo e com os outros. A sexualidade não diz respeito somente ao ato sexual, mas a tudo que permeia o nosso corpo, nossas relações, nossa saúde e desenvolvimento.

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